quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ao som de João e o Pé de feijão - Cícero

Aviso que não sou mais eu, perdi-me em gestos, traços e trejeitos seus. Aos pouco fui consumido pelo andar desengonçado e, então, nossas pernas passaram a ser apenas uma, confundindo nossos passos. Tomamos rumos diferentes pisando as mesmas pisadas que outrora pisei. Calejei a alma e não senti os espinhos já pisados. Mas ao teu lado tudo é tão cócegas. Já não falo por mim, criamos um tom que dançamos a mesma valsa da solidão. E nos fazemos pares tão entrosados que chega a ser engraçado esse dançar. Rimos ao invés de chorar e tudo é tão mais fácil. Fingimo-nos surdos ao mundo fora de nosso mundo, só assim os espinhos e a dança são tão doces. E nessa prosódia de nós dois, somos poesia e prosa, somos metáfora e linguagem dicionarizante, neologismos que criamos para melhor nos destacarmos de tudo isso que é tão igual e tão estranho a nós. Somos algo não conceituado, diferente de tudo que foi visto, às vezes cama, às vezes lona, às vezes chama, à vezes clama – por sentido. Esse não encontramos, mas para quê procurá-lo quanto tudo é novo, raro e feliz, como algo nunca dantes vivido?

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